Monday, 4 June 2007

Milagre

- O milagre de fátima é isto mesmo!

Dizia Paulo VI, o papa que foi a Fátima sem passar por Lisboa. Nos anos 60, o zero escorrido em sabonete líquido de haxixe, a serpente de testesterona e estrogénio encantada na história dialética da marionética luta de classes, os bons costumes na gamela do cão de Pavlov, os efeitos rápidos sobre a personalidade salivada. Aumentos.

Os pais ofereceram-lhe o carrinho. Por ... “brincadeira”. Atrelado vinha o “incentivo”, da tia, solteirona, para quando, para quando se faz ela “mulher”, emprenha, gera, dá vida a algo. Sorria de olhos postos na barriga. Daí às rendas e roupinhas para o vestir, ao bébé, ainda não gerado, foi um passo breve no caminho desses anos solícitos, pequenos, arredondados às décimas de dias.

E a barriga inchou, inchou, deu-se por cheia, e foi nas luvas justas nos dedos do médico, aos nove meses, não parteiro, psiquiatra, psicossomaticidade histérica, gravidez inexistente, pressionando a barriga e deixando o bébé insuflado de pânico partir como um balão cheio de ar.

O milagre de Fátima é um milhão de crentes no milagre de Fátima. A gravidez gerada no cerebelo difere da gravidez gerada no útero pela carne satisfeita de efemeridade. Pelas linhas saltitonas das ideias dos pintores, dos artistas, dos génios, dos loucos que moldam o ar grávido nos olhos fúteis das mulheres belas.